
Senador Lindsey Graham diz que EUA querem governar Venezuela, mas não torná-la colónia
Washington, 07 Jan 2026 – O senador republicano Lindsey Graham afirmou que a administração dos Estados Unidos pretende governar a Venezuela após a derrubada do presidente Nicolás Maduro, mas negou que o país latino-americano se tornará uma colónia americana.
Em declarações ao portal Semafor, Graham disse que o presidente Donald Trump quer “deixar todo mundo saber que está no comando” da situação na Venezuela, em um momento de intensa escalada diplomática e militar entre os dois países.
“Isso não significa que vamos ser donos dela para sempre. Não vai se tornar uma colónia dos Estados Unidos, mas nós estamos no comando”, afirmou o senador norte-americano, segundo a agência de notícias russa TASS.
EUA retiraram Maduro do poder em operação militar
No último dia 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram uma operação militar de grande escala na Venezuela que resultou na captura e retirada do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa Cilia Flores, conforme anunciado pela Casa Branca.
A invasão incluiu ataques a alvos civis e militares em Caracas e outras regiões, e o governo venezuelano denunciou a ação como uma “agressão militar” que deixou dezenas de mortos e feridos.
Maduro enfrenta acusações nos EUA
Após sua captura, Maduro e sua esposa foram levados para os Estados Unidos, onde compareceram em 5 de janeiro perante o Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito Sul de Nova York. Eles foram acusados de envolvimento em tráfico de drogas e outras atividades ilícitas, acusações que ambos negaram.
Especialistas legais têm questionado a legalidade da operação militar, que, segundo observadores internacionais, pode violar o direito internacional por não ter sido autorizada pelo Congresso dos EUA ou pela Organização das Nações Unidas.
Trump afirma que EUA “vai governar” Venezuela
Logo após a operação, o presidente **Donald Trump declarou que os Estados Unidos **“vão governar a Venezuela” temporariamente, até que seja possível realizar uma “transição segura, adequada e criteriosa” para um novo governo.
Trump também sugeriu que o país norte-americano poderia utilizar as vastas reservas de petróleo venezuelanas como parte de um plano de recuperação econômica, o que gerou forte crítica internacional sobre intenções de exploração de recursos do país.
No entanto, autoridades brasileiras e de outras nações latino-americanas criticaram a intervenção, afirmando que se trata de uma violação da soberania venezuelana e um perigoso precedente para a região.
Governo interino e reação interna
Com a captura de Maduro, a vice-presidente venezuelana Delcy Rodríguez foi nomeada presidente interina, e líderes chavistas denunciaram a ação como ilegítima, afirmando que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.
Dentro da Venezuela, as reações variam entre celebrações em algumas áreas e medo crescente em outras, com relatos de apagões, instabilidade e preocupações sobre segurança e abastecimento.
Reações e debates nos EUA
Nos Estados Unidos, a operação e a proposta de governar temporariamente a Venezuela têm dividido a opinião pública. Uma pesquisa recente mostrou que 44% dos norte-americanos são contra a ideia de que os EUA governem a Venezuela, enquanto 34% apoiam e 20% ainda não têm posição definida.
O uso de força militar sem aprovação explícita do Congresso também tem sido criticado por legisladores de ambos os partidos e por organizações de direitos humanos, que alertam para os riscos de escalada militar e repercussões regionais.
A Venezuela vive uma longa crise política e econômica, marcada por décadas de instabilidade e acusações de corrupção e repressão. O conflito com os EUA acrescenta mais um capítulo a uma crise que já envolve múltiplos atores regionais e internacionais, incluindo Rússia, Cuba e países da América Latina.
