
Ouagadougou – O Governo do Burkina Faso anunciou, na noite de terça-feira (06), que frustrou uma tentativa de golpe de Estado que teria sido planejada e iniciada no último sábado, 3 de janeiro de 2026. A informação foi confirmada pelo ministro da Segurança, Mahamadou Sana, em entrevista à imprensa.
De acordo com o ministro, o plano de desestabilização começou por volta das 23h do dia 3 de janeiro e envolvia uma série de ações coordenadas com o objetivo de derrubar o atual regime de transição.
Plano previa assassinatos e ataque ao chefe de Estado
Segundo Mahamadou Sana, a conspiração previa assassinatos seletivos de autoridades civis e militares, tendo como principal alvo o capitão Ibrahim Traoré, atual chefe de Estado e presidente de transição do Burkina Faso.
“O golpe seria realizado por meio de uma série de assassinatos direcionados, começando com a neutralização do capitão Ibrahim Traoré, seja à queima-roupa ou por uma operação destinada a atacar a sua residência”, afirmou o ministro.
Além do ataque direto ao presidente, o plano incluía a neutralização da base estratégica de drones do país, considerada fundamental no combate a grupos armados, bem como uma intervenção militar terrestre com apoio de forças externas. A mobilização de civis para dar suporte à operação também fazia parte da estratégia.
Organização externa e financiamento estrangeiro
Ainda segundo o governo burquinense, a tentativa de golpe teria sido organizada a partir do Togo, sob coordenação do ex-presidente da transição, Paul-Henri Sandaogo Damiba, deposto em 2022. O financiamento da operação teria vindo, em parte, da Costa do Marfim.
Em uma confissão exibida pela televisão nacional, um homem apresentado como um dos principais atores econômicos envolvidos no esquema admitiu ter viajado à Costa do Marfim para recolher parte dos recursos financeiros destinados à operação. O montante estimado seria de 70 milhões de francos CFA, o equivalente a cerca de 108 milhões de kwanzas.
Serviços de inteligência foram decisivos
O ministro Mahamadou Sana destacou o papel decisivo dos serviços de inteligência nacionais na prevenção da tentativa de golpe.
“Esta é uma oportunidade para saudar e reconhecer o trabalho altamente louvável dos nossos serviços de inteligência. Graças ao seu profissionalismo, o Burkina Faso frustrou, pela enésima vez, tentativas de desestabilização”, declarou.
Segundo o governo, prisões já foram efetuadas e as investigações continuam para identificar todos os envolvidos, tanto dentro quanto fora do país.
Relações tensas com a Costa do Marfim
A tentativa de golpe ocorre em um contexto de relações diplomáticas tensas entre Ouagadougou e Abidjan. Desde que o capitão Ibrahim Traoré assumiu o poder, em setembro de 2022, as autoridades burquinenses têm acusado repetidamente a Costa do Marfim de abrigar indivíduos e atividades destinadas a desestabilizar o país.
O governo marfinense, por sua vez, sempre negou essas acusações. Até o momento, não houve um posicionamento oficial de Abidjan sobre as novas alegações divulgadas pelo Burkina Faso.
Contexto político e de segurança
O Burkina Faso vive um período prolongado de instabilidade política e desafios de segurança, marcado por sucessivos golpes militares e pela luta contra grupos armados que atuam no Sahel. O atual governo de transição afirma que tem como prioridade a restauração da soberania nacional e o fortalecimento das forças de defesa.
As autoridades reforçaram que permanecem em estado de alerta máximo para evitar novas tentativas de desestabilização e garantiram que medidas adicionais de segurança serão implementadas nos próximos dias.
